sábado, 7 de maio de 2016

Quando você se foi

Quando você se foi uma coisa sua ficou aqui
sim eu sei que em algum lugar desse quarto
bagunçado está seu brinco
solitário talvez sob o criado
mudo esperando ser 
encontrado entre as
roupas perdido em
pilhas desesperado

ou naquele lugar
que já olhei e olhei
e procurei 
mil vezes procurando
sem notar sem
nunca perceber
o que simplesmente
estava ali
agora de memória apenas poderei dizer que era
dourado com uma pedra brilhante no centro
e que a baixo havia uma pérola
Em seu lóbulo lembrava
uma pequena flor
cujos pólens luziam
iluminando a madrugada

domingo, 6 de dezembro de 2015

Isto já não é um Blog

Isto já não é um livro
tampouco verá aqui
a sombra do que foi a árvore

submeta o objeto ao pensamento
coloco nesse troço um encanto
agora o transformo assim

num pardo receptáculo de
nossas compartilhadas memórias
na presença simbólica dos

meus gestos distanciados
de tal modo eficaz que
ao tocá-lo e deslizar sua

mão pela capa se adensará
sob névoas sua visão externa
e seus dedos delicados

tocarão por magia meu
peito amarelado e se
enlaçarão aos meus nas

páginas divididas
deste objeto raro

tudo isso acontecerá lá
no plano místico que liga eu
a onde você estiver

domingo, 8 de março de 2015

Decomposição das folhas













Secas, estáticas folhas agudas

repousam no chão do bosque

Silenciosos esqueletos de celulose

sedimentam, não obstante,

a suma constatação da essência:

Tácita expressão poética da vida

a degradação exponencial das formas

- No fim, amorfa

a massa funde-se ao chão


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Proposta Grega

Isso te parece grego?
a verdade nua
ou de quatro arreganhada na
crueza da língua
é melhor metáfora pra dizer
lambo você agora

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Lembrança do restaurante japonês

um polvo à gourmet
fresco no prato 
recria um fim
para a roleta russa:

octopus
tentáculos deglutidos
um a um
ato reflexo
na boca
o oitavo membro 
decepado
rouba na ventosa
o último 
beijo de língua

domingo, 13 de abril de 2014

moralidades

no peso do imoral
habita um mau acorrentado
e antes do primeiro passo
já se propõe o pecado

penetro na ideia o pensamento
oposto
eu quero o amor 
diverso

um demônio aflora
na consumação do ato
me ponho à mercê da sorte
no instante em que escancaro
a caixa de Pandora

domingo, 1 de dezembro de 2013

Asfixia em 6 de Setembro

Pendurado como um pêndulo
pelo pescoço
no sonho em que me suicido
e acordo de pau duro

O suor escorrido no rosto
recapitula a asfixia erótica
Sangue da menstruação
que não me saiu da cara